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Clínica Social

 

O Centro Português de Psicanálise inicia em fevereiro de 2020 a atividade de sua clínica social, com o objetivo de diminuir as barreiras económicas e promover o acesso a quem deseja atendimento psicanalítico. Os interessados podem agendar um atendimento inicial através do número +351 912 958 987 ou através do email Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

 

 

Ensaio psicanalítico sobre as consequências da colonização nas Antilhas

No próximo sábado dia 15 de Fevereiro às 15 horas no Auditório 7, da Faculdade de Direito, na Cidade Universitária, e aproveitando a estadia em Lisboa de Jeanne Wiltord que nos apresentará o seu novo livro - “Mas o que é então um negro?, Ensaio psicanalítico sobre as consequências da colonização nas Antilhas” – pensamos que as suas reflexões podem participar na nossa neste momento que se vive em Portugal: a entrada no Parlamento de Joacine Katar Moreira, mulher, preta, gaga que, como ela mesma anunciou na campanha eleitoral trouxe ao espaço público um grande impacto e um não menor desconforto.

Pode a psicanálise, com a ajuda de outras disciplinas (antropologia, história, direito) contribuir para analisar este sentimento de desconforto, para compreender esse real que vivemos na actualidade que ainda não se tinha manifestado com tanta virulência?

Vem ele confirmar que no nosso país predomina a não inscrição de momentos da nossa história? O desconforto que se percebe em alguns com a presença no Parlamento de Joacine Katar Moreira poderá ser lido como um sintoma do desmentido de certos momentos da nossa história que trabalha a memória colectiva e que não deixa de ter consequências no nosso laço social?

Eis o objecto do debate organizado pelo Centro Português de Psicanálise, em conjunto com a NELB da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, e que terá lugar no próximo sábado dia 15 de Fevereiro às 15 horas no Auditório 7, da Faculdade de Direito, na Cidade Universitária

Contámos com a presença de todos, neste evento muito importante pela actualidade do tema e pelos intervenientes envolvidos, nomeadamente da nossa querida colega Jeanne Wiltord.

Uma explicação

Há talvez uma explicação a dar: porquê um sítio electrónico, vulgo sítio, conviria a psicanalistas e, por isso ao Centro Português de Psicanálise - CPP. Não, a psicanálise não se pratica nem se transmite na Internet. Mas talvez num sítio, como nos jornais ou nos livros, algo possa ser dito que desperte em alguns a "cupidez curiosa" de que falava Freud (das Wiessbegierde) levando-os a procurar a psicanálise onde ela paira: na língua, na linguagem, na fala e até no divã de um psicanalista. Mas abrir um sítio pode também fazer-nos correr o risco de desviar a escuta dessa fala dando primazia ao olhar e à doxa.

O problema para os humanos que somos está na fala (e, por acréscimo, na sexualidade). Na educação, na governação, na psicanálise, profissões insustentáveis, - impossíveis dizia Freud - às quais Lacan acrescentou a ciência, o que angustia o profissional é a fala: a do outro e a própria. Talvez mais a própria, aliás. São trabalhos em que aquele que os exerce sabe que é aquilo que disser no seu exercício, o que faz acto. Eis o que é duro de sustentar.

Daí que, hoje, nas democracias do "senhor-toda-a-gente", floresça o cognitivismo comportamental. O seu princípio é exactamente evitar a fala: para ele, governar, educar ou curar é domesticar, treinar comportamentos predefinidos socialmente, transformar os humanos em pseudo animais previsíveis recalcando o sujeito, a pulsão, o desejo, em suma, o significante e a relação de cada um ao objecto que falta. Recalcamento com consequências. Porque só assumindo aquela falta ou perda se tem acesso ao mundo da representação onde o desejo se alimenta e se orienta e onde se asseguram as identificações sexuais.

Pensa-se hoje que a técnica pode resolver todos os nossos problemas - frio, fome, doença, mal-estar, capricho, solidão, comunicação... Mas não está em seu poder curar-nos nem da fala nem da sexualidade, nem do muro que existe entre um homem e uma mulher. A esse muro Lacan chamava linguagem.

A Internet, também ela, escamoteia ou facilita muito que se escamoteie a fala e a sexualidade. É pois ousadia da nossa parte pensar que poderemos ser, apesar dela e com ela, psicanalistas. Ousemos.

 

 

Depois de Lisboa

Este ano a ALI propôs-se dar asas ao Seminário de Verão. Assim, de acordo com o Centro Português de Psicanálise, foi decidido fazê-lo voar até Lisboa.

Em boa hora. Com efeito durante esses dias desenvolveu-se um óptimo trabalho num ambiente propício a um debate sem rotinas. Trabalho que os participantes tinham preparado ao longo do ano, trabalho dito, ouvido e debatido de forma muito aberta. Uma jovem colega portuguesa dizia, no final que tinha sentido que todos estávamos ali pera ouvir e debater, para aprender mais e “não para vir ver e mostrar-se”.

Avançámos na compreensão da “Relação de objecto e as estruturas freudianas”. Não só seguindo a razão, mas também com uma abertura amigável e colegial uns aos outros, falando em francês e em português, graças a um sistema que a Ali pôs a funcionar com êxito. ALI que soube comunicar-nos o espirito excelente do seu executivo.

Foi num belo anfiteatro clássico, cheio, em que o belo acolhimento e a boa vontade de profissionais calejados ombreavam com os mais novos e com aqueles que, em Paris e em Lisboa, manejaram as questões administrativas práticas com um sorriso.

Sente-se hoje que a equipa de Paris aprofundou a sua maneira de trabalhar em conjunto e com as Escolas nacionais e internacionais. Também o CPP para quem um ano de trabalho mais sustentado e amigável o estruturou mais solidamente o que é bem encorajador no que respeita o futuro.

“Não é segurando as asas que se ensina um pássaro a voar…” (Mia Couto)

Jean-Paul Beaumont e Maria Belo (presidentes da ALI e do CPP)

 
Na Faculdade de Letras, em Lisba
 
 
 
 

Atividades

Apresentação

Literatura e Interpretação Psicanalítica

(26.02.2020)

Rua Nova do Almada, 36 3º Esq.

Lisboa

 

 

Seminário

O Fim da Análise

Quartas-feiras às 20h30

Semanal

(Próximo: 04.03.2020)

Rua Nova do Almada, 36 3º Esq.

Lisboa

 

 

Escola de Psicanálise

do Bebé, da Criança e do Adolescente

Quintas-feiras às 14h30

Quinzenal

(Próximo: 05.03.2020)

Rua Nova do Almada, 36 3º Esq.

Lisboa

  

 

Seminário

Amor em psicanálise

Sextas-feiras às 18h30

Mensal

Rua Nova do Almada, 36 3º Esq.

Lisboa

 

 

Atividade

Estudo de Caso

Quintas-feiras das 14h30 às 16h00

Mensal

(Próximo: 12.03.2020)

Rua Nova do Almada, 36 3º Esq.

Lisboa